AUREA

Para ver o nosso site: www.aureagoldengrass.com

No Facebook: http://www.facebook.com/pages/Aurea-Golden-Grass-Accessories/112181722153125

Como vocês podem notar, eu parei de colocar postagens aqui, mas o Projeto Aurea não parou! Só não consegui tempo para contar mais estórias, o que realmente é uma pena já que foram muitas aventuras interessantes com a abertura da empresa nos Estados Unidos, os primeiros clientes, os pedidos com as artesãs do Jalapão, as escolhas e decisões que tive de fazer, etc.

A Aurea vai de vento em popa, crescendo devagarinho, conquistando seu espaço.

Se eu tomar vergonha na cara, volto a contar um pouquinho mais dessas estórias aqui.

Fast Forward

Não consegui colocar o blog em dia antes de viajar de novo ao Jalapão. Para não ficar mais atrasada ainda, decidi dar um fast forward por enquanto e colocar alguns posts relativos a essa minha viagem realizada em junho e julho. Depois retomo o desenrolar da Aurea.

Parem as máquinas! A canhota adoeceu

O mês de março foi quase exclusivamente dedicado ao catálogo. O Renato realizou as fotos dos produtos e das modelos. E como meu orçamento não permitia a contratação da Gisele Bundchen nem da Cindy Crawford, fomos de Gisele- minha- irmã e de  Cintia-uma-amiga-dela. Como tampouco havia dindim para altas produções, a produção foi só mesmo uma maquiagem e o talento do Renato. As fotos ficaram lindas (olha a corujice) e a maninha acabou estampando a capa do catálogo. Vejam só, eu aqui ralando, indo pro Jalapão aguentar 37º C todo dia e quem sai bem na foto é a bonitona da família, hahaha. Eu mesma só terei direito à um retratinho 3×4 num cantinho escondido do site. *suspiro*

Enquanto isso a Sandra bolava um jeito de ir encaixando todas as peças – os textos, as fotos, o logo, etc – e criando um design que conseguisse integrá-los harmonicamente. Fazer evoluir o catálogo à distância deu um trabalho danado, foram trocentos emails, uma montanha de arquivos baixados e muitas alterações. Tanto o Renato quanto a Sandra foram incansáveis nos retoques e nos detalhes, de grande profissionalismo, eu que às vezes ficava agoniada com a questão dos prazos e dizia:: “para mim do jeito que está já está ótimo” mas aí eles sempre achavam algo a mais que poderia melhorar ainda mais o resultado e lá se vão mais emails trocados, arquivos baixados, etc.

A questão dos prazos é a seguinte: eu queria lançar a Aurea para aproveitar a temporada primavera-verão pois umas pesquisinhas já indicavam que o capim dourado venderia melhor nessa época pois ele está associado a produtos de palha que remetem a sol, praia, calor, verão, férias. As lojas começam a comprar suas coleções primavera-verão em fevereiro. Eu gostaria de ter catálogo+site prontos no máximo em março. Mas já tinha entrado em abril e ainda estávamos finalizando o catálogo. Eu estava ficando bastante ansiosa pois assim acabaria perdendo o timing. Seria como inaugurar sorveteria no inverno.Então coloquei uma certa pressão no Renato e na Sandra que, coitados, estavam produzindo tudo num ritmo acelerado , tentando ao mesmo tempo não deixar cair a qualidade.

E no meio dessa efervescência toda ainda mandei de última hora mais dois modelos de brincos para serem fotografados pois gostaria de incluí-los no catálogo. Um desses modelos, o brinco folha, foi a Adelcina que mandou de “brinde” numa das encomendas. Eu gostei muito e disse para ela que ele iria para o catálogo. Então fiz um pedido que tinha uns 20 pares desse brinco. Quando liguei para saber como andava o pedido, a Adelcina falou:

– Pois é. Deixa eu te falar uma coisa. Sabe o brinco folha? A canhota adoeceu.

Eu fiquei sem entender nada.

– O brinco que eu te mandei, com aquela curvinha e a costura indo pro outro lado, só quem consegue fazer é artesã canhota. Quem costura com a direita não consegue fazer a curva para aquele lado.

Eu não sei se estava entendendo bem e por mais que a Adelcina tentasse me explicar, eu não conseguia entender por que uma destra não conseguiria fazer o mesmo modelo (claro que a costura seria “espelho”, indo para o outro lado) mas não entendia em que isso diferenciava o modelo. A Adelcina ofereceu me mandar os brincos feitos por destra e eu consenti. Quando a encomenda chegou eu vi que realmente o modelo da destra não era igual. Continuo sem entender por que uma destra não consegue fazer o biquinho da folha. Logicamente eu tinha gostado do modelo da canhota. Liguei para a Adelcina e falei que vi o brinco da destra mas não gostei. Ela disse que estávamos com um problema, pois a canhota adoeceu mesmo e o médico proibiu de costurar capim dourado. Combinamos que ela ia tentar achar uma canhota que conseguisse fazer o brinco do jeito que eu queria. Eu teria que ver se ela achava alguém que fizesse o brinco e que o produto ficasse com boa qualidade para então eu incluir no catálogo.

Engraçado é que nesse mesmo período, o brinco “sumiu”e o Renato acabou não tirando a foto de produto dele. Então deixamos o brinco da canhota em suspenso. E a Sandra fez uma versão do catálogo com a descrição do brinco e uma foto da modelo com ele, e outra versão sem o brinco.

Brinco folha da canhota

Brinco folha da destra

Brinco folha e colar semente - Copyright Aurea

Momento Roberto Carlos

Estava aqui relendo alguns dos posts, vendo a Aurea tomar forma e vi do que realmente a Aurea é formada: de ideias e gente.

As ideias, principalmente as minhas, nem sempre foram as melhores. Mas as pessoas, sim, essas sempre foram maravilhosas no seu apoio, nas palavras de coragem, nos emails engraçados, nos telefonemas surreais, nas despirocações, na criatividade, na troca, no trabalho duro e delicado, na dedicação e paciência.

Pessoal, a Aurea são vocês.

Para todos, turminha da criação, turminha da redação, turminha do RP, as “modelos”, guru e gurua, artesãs e pessoal do Jalapão, parentes e amigos, leitores do blog e todos aí que eu sei que estão torcendo pela Aurea:

Muito obrigada! Thanks a lot! Merci énormement! Muchas gracias! Arigatô! Teşekkürler!

Tenho uma gratidão enorme e me sinto muito abençoada por poder contar com tantos amigos queridos me ajudando em todo esse processo.

Pedindo ajuda aos universitários

O Bonas, do post anterior, tinha lá suas táticas de marketing. Eu precisava traçar as minhas. Antes de ir ao Jalapão pedi ajuda ao Pedro, afilhado do Paulo, formado em Relações Públicas. Ele ficou tão empolgado que angariou a ajuda de mais duas amigas e juntos eles formaram o departamento de RP da Aurea.

E eles estavam com tanta energia que eu tomei até um susto:

“Quero conversar com duas amigas que podem me ajudar na empreitada da Aurea – e quero te mandar um monte de perguntas amanhã, depois que falar com elas, tudo bem?

Se estivermos indo além do que você imagina e quer, por favor me avise ok?

Para nós, RPs recém formados, esta é uma Golden opportunity de aplicar os conhecimentos que adquirimos e realmente colocar a prova o nosso entendimento e análise do mercado! Queremos de verdade, desenvolver algo bem legal e bem amarrado para você. Uma das meninas trabalha em uma das maiores agências de Branding que temos no Brasil e manja muito de posicionamento de marca, a outra trabalha na Volkswagem e tem grande expertise em Comunicação Corporativa. Acho que estarás bem assessorada, rsrs.”

“Pedro, eu tava lendo seu email, curtindo tudo até que li : “grande expertise em Comunicação Corporativa”.  Pedro, LA CORPORACIÓN SOY YO!!!
Eu sei que você tá super empolgado com tudo e vai querer me passar do bom e do melhor, mas talvez eu precise que você downsize a escala dos seus préstimos. Eu tô fazendo tudo sozinha e é um trampo inimaginável, então vamos ter que realmente priorizar em coisas que eu consiga realizar. Além disso vamos ter que ter um plano num “crescendo”… Eu devo ser a única empresária que não quer sair na Oprah (conhece o efeito Oprah? Saiu nos programas/revistas delas e dia seguinte tem 1 milhão de pedidos)”

“Quando a gente fala em comunicação em posicionar alguém, isso leva uns 2 a 3 anos, ou seja MUITO TEMPO! Você vai ver com o que vou lhe mostrar que realmente temos uma visão diferente do simples marketing pois não adianta querer ir bem no mercado se a nossa casa não vai bem, ou seja, se não temos capacidade de atender a demanda da Oprah (sim conheço o efeito dela rsrs).

A nossa ideia com a Aurea é posicioná-la como uma mosca branca no mercado, aquela que todo mundo admira mas pouquíssimos conseguem “se relacionar”. A vantagem é que vc é bem vista, gostam de vc, não te importunam a não ser que vc dixe ou queira, o que lhe permite crescer como e quando quiser! Conforme sentir segurança! “

“Puxa, tenho certeza que estou muito bem acessorada, Pedro vc e sua equipe captaram direitinho o que a Aurea quer ser e se lá pra frente, por algum motivo, a Aurea der com os burros n’água quero dizer que tenho certeza desde já que não foi pela qualidade do meu RP, hahaha!”

“Olha o que eu achei lá na (rua) Alexandre Dumas, onde trabalho…”

Vendendo capim na capota

“Hahaha, ainda bem que parece que esse método de vendas ainda não chegou por aqui. Mas pode ser que seja meu fim se não conseguir desencalhar meu estoque.

…  se tudo isso não der em nada, lá vou eu vender o capim na capota do nosso BMW! Pelo menos o carro é  luxuoso, hahaha”

Faço fotos e Vendo sofá

Adelcina e Vanda são duas artesãs chaves para a Aurea. A Adelcina, além de produzir vários dos produtos do meu catálogo, ficou responsável pelos pedidos. E a Vanda porque as peças dela são tão bonitas que depois que eu a conheci até acabei mudando as especificações de alguns modelos e incluindo outros pois realmente gostei muito da “costura” dela.

E eu não tinha foto de nenhuma das duas! Queria colocar fotos delas no catálogo e no site e fiquei desolada ao abrir meu folder e descobrir que eu esqueci totalmente de tirar fotos delas. Então liguei para a Adelcina e perguntei se tinha como ela tirar as fotos. Ela falou que tinha o Bonas Fotos que vinha uma vez por mês tirar fotos da filhinha para ela. Pedi para ela falar com o Bonas para fazer fotos dela e da Vanda e me mandar por email.

No começo de março, o Bonas me mandou as fotos delas por email. O curioso é que a mensagem dele não menciona absolutamente nada sobre essas fotos. Vejam o texto na íntegra:

“ola, bom dia dona Cristiane, quero mostrar essa foto ai de um jogo de sofá que é feito de talos de buriti e se você enteressar em comprar pode ta retornando o e-mail. o preço do jogo do sofá custa apenas=1500,00 R$, meu telefône é =(63)3378-1207. muito obrigado.”

E em anexo vieram as fotos das artesãs e do dito sofá. Eu morri de rir. Isso é que é empreendedorismo  para criar oportunidade de vendas! Internacionais!

Respondi o email agradecendo as fotos das artesãs e pedi que dissesse a elas que recebi as fotos. Pensei em mencionar algo sobre o sofá, dizendo que não estava interessada e que não achava muito profissional da parte dele ter me oferecido o sofá assim sem mais nem menos sendo que ele foi contratado para prestar um serviço para a Adelcina. Mas, gente, ele mora num cidade de 6mil habitantes no interior do Tocantins, achei descabido da minha parte ficar dando lição de profissionalismo nessas condições. Pra falar a verdade, achei muito engraçado e divertido, um verdadeiro espírito empreendedor. No final resolvi não mencionar nada e achei que meu silêncio já era uma resposta. Engano meu:

“ok dona Cristiane pode deixar que eu darei seu recado a elas, você gostou daquele sofá que eu mandei a fotos junta a da Aldecina e da Vanda?”

Ele quase me deixou numa sinuca de bico. Não queria dizer que não gostei do sofá, mas também não ia dizer que gostei, então respondi dizendo que não estava interessada. Mas coloco aqui a foto, vai que alguém aí se interessa, já tem até o telefone de contato.

Hahaha! Acabou que o sofá do Bonas agora está anunciado na internet. Tudo bem que é nesse blog pessoal, mas mesmo assim, mais um canal de vendas! Um gênio, o Bonas. Vou até colocar tags para o caso de alguém dar uma busca em “sofá de buriti”.

Esse estorinha do Bonas me fez refletir sobre algumas coisas:

– até que ponto podemos ser “empreendedores criativos” sem ultrapassar os limites do profissionalismo, privacidade, etc? Requer um equiíbrio sensível.

– em business, silêncio não quer dizer resposta negativa.

– o tempo verbal “gerúndio do futuro” muito usado pelas mocinhas de telemarketing já “pode estar sendo adotado” nos confins do Jalapão

– eu preciso urgentemente fazer um curso de fotografia ou carregar um fotógrafo a tiracolo

BRASIL DAS PLACAS

O email do Bonas me lembrou muito um livro que eu a-do-ro: O Brasil das Placas do José Eduardo Camargo e L. Soares

O livro retrata o Brasil por aquelas placas e anúncios com os quais a gente se depara por aí, tão engraçados e tão brasileiros na sua estética e na sua lógica. E para melhorar ainda mais o L. Soares faz um cordel super bem humorado que complementa as fotos sublimemente.

Recomendo para as mais finas mesas de centro, mesas de cabeceira,revisteiros, estantes, bibliotecas, etc.

do livro: O Brasil das Placas - José E. Camargo e L. Soares

Do Livro: O Brasil das Placas - José E. Camargo e L.Soares

Meu inglês não é nenhuma Brastemp ou Conteúdo do site e catálogo: textos

Eu já tinha começado a esboçar o site e o catálogo e agora precisava refinar meus rascunhos, escrever os textos e pedir para o Renato fazer as fotos que iriam ilustrar todo o material da Aurea.

Vou ter que confessar uma coisa: eu detesto escrever em inglês, e meu inglês escrito não é nenhuma Brastemp. Criar os textos estava sendo um processo muito penoso e ainda por cima eu não sabia se o estilo estava bom, se estava correto, se parecia inglês “nativo” ou se parecia “English as a second language”, se a mensagem que eu queria transmitir estava clara e concisa, etc. Felizmente, contei com o auxílio luxuoso da minha amiga Estefânia, que além de inteligentíssima, PhD em psicologia social, adora dançar e agora está escrevendo um blog, o 3Tangos que está nos links. Eu tinha pedido para a Estefânia fazer uma revisão do inglês, mas ela  não só revisou como começou a fazer uma análise do conteúdo e sugerir outras formas de escrever. Foi maravilhoso ter alguém com quem compartilhar os textos e tenho certeza que essa troca enriqueceu muito o material institucional da Aurea.

Além do que foi divertidíssimo, em vários momentos de bloqueio mental a gente despirocava um pouco e se divertia com as próprias sugestões. Ou vocês acham que é fácil ter que achar 20 maneiras diferentes pra dizer a mesma coisa sobre os produtos? Haja Thesaurus! Lá pelo quinto par de brincos, por exemplo, eu já não tinha mais vocabulário pra dizer que eles eram lindos e leves. Pedi ajuda pra Estefânia, que coitada também passou pelo mesmo apuro: “Inventei uma coisarada sobre as jóias – descrições com rimas, brincadeiras de venda (algumas me fazem rir muito… tipo chain earrings linking fashion and functionality ou alguma coisa parecida – hahah)”

“These triple drop hoop earrings  form a fashionable chain, linking beautifuldesign to light weight functionality.”

Ainda bem que alguém ainda conseguia criar mais do mesmo, mesmo que em tom de brincadeira!  Daí a gente partia para o processo de ir melhorando:
– Este, eu nao curto a palavra fashionable… prefiro stylish, chic, elegant, etc…

— ok, a bodega é sua
– Functionality nao sei se funcionou, hahaha

— hahaha só deixei mesmo por comedy value!

Ou quando nos últimos produtos, já sem inspiração nenhuma para escrever sobre as caixas, coloquei: “Bijoux Box: luxurious and versatile, as stylish in the boudoir as in the buffet table” e que parecia muito mais propaganda de lingerie sensual do que artesanato de capim dourado!

– Estê, na zen box eu ja tava meio viajando e coloquei “exudes tranquility”  for comedy value! hahaha

– Ah, e achei o “exudes tranquility” uma saída ótima para a caixa. Afinal, a foto tá lá com as dimensões, o que que querem que escreva? Hahaha. Podemos pensar numa alternativa pragmática num chat.

Além da Estefânia, também estou sendo ajudada pela minhas queridas amigas americanas a Julia, a Camille e a Megan. Elas dão uma geral nos textos finais, fazem comentários e sugestões e a Megan ainda se propôs a me ajudar com o press release.